Leiam esse ótimo texto sobre Cleopata, vejam que a história é bem diferente do que o filme homônimo de 1963, protagonizado por Elizabeth Taylor.
Ao contrário do que muitos pensam, Cleópatra não era egípcia,mas uma descendente direta de governantes gregos no Egito. Em 332 a.C. Alexandre, o Grande, conquistou as terras do Nilo e expulsou os persas, que dominavam a região desde 525 a.C. Com a sua morte, o império desintegrou-se e um de seus generais, Ptolomeu, "herdou" o país, nomeou-se faraó com um governo autônomo e adotou os costumes antigos, embora não praticasse a religião nativa. Iniciou-se, então, a Dinastia Ptolo-maica. À medida que o tempo passava, os gregos tornavam-se cada vez mais violentos e afrontosos, exaurindo as riquezas do país financiando festas, banquetes e construções. Tios estupravam sobrinhas, mães matavam filhos, avôs casavam-se com netas; os genes ptolomaicos não pareciam resultar em bons frutos...(traduzindo era uma putaria do cacete)
Durante toda a sua vida, Ptolomeu XII Auletes subornou a ascendente e poderosa Roma para esta não invadir o Egito, o único país do Mediterrâneo fora da jurisdição romana. Quando morreu, em 51 a.C., o trono foi herdado por seus filhos Ptolomeu XIII e Cleópatra VII, coroada rainha aos 19 anos.
A tradição greco-latina caracteriza a rainha como bela, promíscua e romântica - o que é um grande erro. Trata-se de uma intelectual que falava mais de 10 idiomas e conhecia Astronomia, Filosofia, Matemática entre outras ciências. Foi uma grande governante e a única ptolomaica que realmente importou-se com o Egito e seu povo. Estudou sua cultura, aprendeu a sua língua, adotou os seus deuses. Cleópatra percebeu que a Religião era o único meio de fazer a economia do país voltar a prosperar. Portanto, fez doações aos templos e construiu o seu próprio santuáro dedicado à deusa Ísis em Dendera. Decretou leis de proteção aos camponeses durante os períodos de cheias do Nilo e reduziu a taxa tributária, garantindo o suprimento de grãos à Alexandria. Após apenas um mês no trono fez uma viagem até o sul, em Armant, para conhecer o seu país. Já, Ptolomeu, um típico soberano de sua dinastia, era irresponsável e evitava suas tarefas como faraó. Ele a expulsou de Alexandria, iniciando uma guerra civil. Roma se preocupou com o conflito, pois ele comprometeria o envio de trigo à cidade. Logo, enviou o general Júlio César para o Egito. Este também foi ao país atrás de Pompeu, um nobre romano que quebrara o acordo do Triunvirato enquanto César lutava na Gália. Chegando no Delta, encontrou o trono de Cleópatra usurpado por seu irmão, que executou Pompeu a fim de agradar o grande general.
A rainha percebeu que cativando César e obtendo o seu apoio, poderia ver-se livre do irmão caçula. Assim, empenhou-se em ganhar a sua confiança e, obviamente, o conseguiu. O corpo daquele que a havia deposto foi encontrado boiando no Nilo, provavelmente assassinado por ela com a tradicional brutalidade ptolomaica. Enquanto no Egito, César era visto como o marido de uma deusa, portanto era considerado um deus. Ela o levou em uma viagem pelo país e, ao final desta, estava grávida. O casal decidiu que se o rebento fosse um menino, ele herdaria não apenas o Egito, mas todo o Império Romano. César logo o reconheceu como herdeiro, despertando a ira de seu sobrinho, Otávio Augusto. Algum tempo depois, Cleópatra foi à Roma. Os senadores temeram que seu general mais influente se nomeasse imperador, então o assassinaram. A rainha voltou rapidamente para casa para iniciar um novo capítulo em sua vida.
Por causa de campanhas contra a Gália, os romanos precisavam de dinheiro para suprir seus exércitos. Marco Antônio, o braço direito de Julio César, procurou essa riqueza no Egito e, após alguns encontros com a rainha, tornou-se seu amante. Ele ficou meses no país e Roma notou o que acontecia. Cleópatra estava grávida de gêmeos e casou-se (apenas formalmente) com o filho quetivera com César, chamado Ptolomeu XV Cesárion. A união de Antônio e Cleópatra resultou numa forte aliança militar. Ele cedeu ao Egito todos os territórios romanos sob seu poder (quase um terço do Império), o que levou Otávio a decretar estado de guerra contra os egípcios. Cleópatra e Antônio lideraram navios de guerra egípcios (tripulados pelas leais legiões do militar).Navegaram até Actium, na costa da Grécia, onde lutariam contra Otávio (que mudou o nome para César Otávio). A batalha decidiria o futuro não só do Egito, mas do Estado romano e de todo o mundo. Caso Roma vencesse, o Egito se tornaria uma província do Império, como o resto do Mediterrâneo. No entanto, se Cleópatra ganhasse, toda a opulência, importância e domínio de Roma seriam transferidos para o Oriente. Otávio tinha ao seu lado Agripa, um
guerreiro tão bom no mar quanto Antônio era em terra e, ao final do dia, a frota egípcia estava em chamas.
Cleópatra e Marco Antônio fugiram para o Egito. Ele ficou numa praia deserta, entregue ao desespero, procurando solidão; morreu nesse dia. Ela voltou ao palácio para traçar seu próximo passo. Reuniu os navios que lhe restavam e toda a riqueza disponível, visando chegar ao Mar Vermelho por terra e depois navegar até a Índia para fundar um novo reino. Porém, enquanto a corte estava no Sinai, um povo que há muito encontrava-se sob o domínio da rainha viu que ela estava vulnerável e queimou toda a frota. Assim, Cleópatra percebeu que tudo aquilo que havia aspirado para o Egito estava acabado. Regressou ao palácio real e mandou que Cesárion fosse tirado do Egito. Nesse momento restavam apenas duas alternativas: ela poderia ser levada com vida para Roma e fazer parte de um desfile triunfal acorrentada, algo que não estava preparada para fazer ou suicidar-se.
A morte que escolheu tem um significado muito forte. Ordenou que uma serva lhe trouxesse um cesto com figos para nutrí-la durante a "viagem" e algo mais... uma áspide, cobra egípcia extremamente venenosa e cuja picada é indolor, causando morte rápida. Morrendo desse forma, ela está atingindo a imortalidade do modo egípcio: o símbolo que por milênios foi emblema real dos faraós agora trazia a liberdade da rainha. Cleópatra morreu em 30 a.C., finalizando um período de 3000 anos de reinado dos faraós no Egito. Após sua morte, Otávio declarou-se imperador romano (lembrando que este foi o motivo pelo qual Julio César foi morto) e transportou um grande obelisco para o centro de Roma, para mostrar ao mundo que os romanos haviam conquistado a riqueza do Nilo. Entretanto, ele nunca se esqueceu da Rainha do Egito e, quando teve de escolher um mês em sua homenagem, não optou por setembro, nono mês (de seu aniversário), mas pelo oitavo mês do ano, quando ela cometeu o suicídio.